Pontos-chave
- Refazer um site muda as URLs, e URL antiga sem redirecionamento vira erro 404: o Google deixa de mostrar a página e perde a referência do que ela tinha conquistado.
- Cada URL antiga deve ter um redirecionamento permanente (301 ou 308) para a página nova equivalente, não para a home.
- O Google recomenda manter os redirecionamentos geralmente por pelo menos um ano e diz que flutuações de posição são esperadas durante a mudança.
- O diagnóstico começa no Search Console: relatório de indexação de páginas, inspeção de URL e comparação de desempenho por página antes e depois.
- A recuperação depende de reconstruir o mapa de URLs antigas, e isso fica muito mais difícil se ninguém guardou a lista antes da troca.
Caso ilustrativo: a empresa é fictícia e a história junta situações comuns em projetos. Nenhum cliente real é descrito.
Quando um site é refeito e some do Google, a causa mais comum é que as URLs mudaram e as antigas não foram redirecionadas para as novas: o Google continua procurando as páginas nos endereços antigos, encontra erro 404 e para de mostrá-las. A recuperação passa por reconstruir o mapa de URLs, criar redirecionamentos permanentes página a página e acompanhar a reindexação no Search Console.
Para mostrar como isso acontece na prática, uso uma clínica fictícia: a Clínica Ventura, de fisioterapia e pilates, com uma unidade só, numa cidade média. A história é inventada. Os erros não.
A situação: site novo, telefone mudo
A Clínica Ventura tinha um site antigo, feio e lento, mas que funcionava. Ele existia havia anos, tinha uma página para cada tratamento e alguns artigos respondendo dúvidas de pacientes. Várias dessas páginas apareciam no Google para buscas como "fisioterapia para hérnia de disco" com o nome da cidade.
A sócia decidiu modernizar. Contratou um site novo, com outro visual, outra plataforma e uma organização "mais limpa" dos tratamentos. O site ficou bonito. Nas semanas seguintes, a recepção começou a notar que quase ninguém dizia mais "achei vocês no Google". Os contatos pelo formulário rarearam.
Ninguém tinha mexido em anúncios, preços ou atendimento. A única coisa que mudou foi o site.
O que deu errado na reforma
Olhando o projeto com calma, apareceram cinco problemas. Nenhum deles é raro. É o conjunto que costuma aparecer em reforma feita sem plano de migração.
- As URLs mudaram sem redirecionamento. A página
/tratamentos/fisioterapia-hernia-de-discovirou/especialidades/coluna. O endereço antigo passou a retornar erro 404. Para o Google, aquela página que ele conhecia e mostrava deixou de existir. - Os artigos do blog não foram migrados. Pareciam "coisa velha". Eram justamente as páginas que respondiam perguntas específicas de pacientes e traziam visitas.
- Parte das páginas foi redirecionada para a home. Quando alguém percebeu os erros, a solução rápida foi mandar tudo para a página inicial. A documentação do Google avisa que redirecionar muitas URLs antigas para uma página irrelevante, como a home, pode ser tratado como soft 404.
- Uma regra de bloqueio ficou esquecida. Durante a construção, o site novo foi marcado como
noindexpara não aparecer antes da hora. Algumas páginas foram ao ar com a marcação ainda ativa. - Ninguém guardou a lista de URLs antigas. O site velho foi desligado no mesmo dia. Sem a lista, não havia como saber o que redirecionar para onde.
Repare que nenhum desses problemas é de design. O site novo era melhor para quem chegava nele. O problema é que menos gente chegava.
Como o diagnóstico aparece no Search Console
O Search Console é onde o problema fica visível. Por sorte, a clínica tinha a propriedade verificada desde o site antigo, então o histórico estava lá.
1. Relatório de indexação de páginas
No relatório de indexação de páginas, a tabela "Por que as páginas não foram indexadas" mostra os motivos. No caso da Ventura, três se destacavam:
- "Não encontrado (404)": as URLs antigas, sem redirecionamento.
- "Erro soft 404": parte das URLs redirecionadas para a home.
- URL marcado como "noindex": as páginas novas que foram ao ar com o bloqueio da fase de construção.
2. Desempenho por página, antes e depois
No relatório de desempenho, comparando os períodos antes e depois da troca e filtrando por página, ficou claro: as páginas de tratamentos e os artigos antigos tinham impressões e cliques antes, e as páginas novas equivalentes ainda não tinham herdado nada. Essa comparação também ajudou a montar a lista de URLs antigas, porque o relatório mostra os endereços que apareciam na busca.
3. Inspeção de URL
Para cada página importante, a ferramenta de inspeção de URL mostrava se ela estava indexada, qual URL o Google considerava canônica e se havia bloqueio. Foi assim que o noindex esquecido apareceu de forma inequívoca.
Se você está vivendo algo parecido mas não refez o site recentemente, as causas podem ser outras. O artigo meu site não aparece no Google cobre as mais comuns.
O plano de recuperação, passo a passo
A sequência abaixo segue a documentação do Google para mudanças de site com alteração de URL, adaptada a um site pequeno.
- Reconstruir a lista de URLs antigas. Fontes: relatório de desempenho do Search Console, Analytics, sitemap antigo (se alguém tiver guardado), backup do servidor e os links de outros sites que apontavam para a clínica, também visíveis no Search Console.
- Montar o mapa de correspondência. Uma planilha com duas colunas: URL antiga e URL nova equivalente. Tratamento por tratamento, artigo por artigo.
- Restaurar o conteúdo que foi descartado. Os artigos que respondiam dúvidas de pacientes voltaram, revisados, em URLs novas dentro do site novo.
- Criar redirecionamentos permanentes um para um. Redirecionamento 301 (ou 308) no servidor, de cada URL antiga para a nova equivalente, e direto para o destino final, sem cadeia de redirecionamentos. Os redirecionamentos genéricos para a home foram substituídos.
- Remover o
noindexe revisar o robots.txt. Tudo o que foi usado só na fase de construção sai. - Atualizar links internos e o canonical. Menu, rodapé e textos passam a apontar direto para as URLs novas, e cada página nova tem canonical apontando para si mesma.
- Enviar o sitemap novo. O sitemap com as URLs novas vai para o Search Console. O Google sugere manter também o sitemap antigo por um tempo para acompanhar a transição, ignorando os avisos de redirecionamento que ele vai gerar.
- Atualizar os links externos que dependem de você. Google Business Profile, redes sociais, diretórios de saúde, campanhas.
Como a clínica não trocou de domínio, a ferramenta de mudança de endereço do Search Console não se aplica. Ela é só para troca de domínio ou subdomínio.
Quanto tempo até voltar?
Não existe prazo garantido, e desconfie de quem promete um. O que o Google documenta:
- Flutuações de posição são esperadas enquanto o site é rastreado e reprocessado.
- Para sites de porte médio, as URLs novas podem levar algumas semanas ou mais para aparecer, e sites maiores levam mais.
- Os redirecionamentos devem ser mantidos geralmente por pelo menos um ano, e o Google sugere considerar mantê-los indefinidamente.
Um ponto que torna o caso da Ventura mais difícil do que precisaria: o tempo em que as URLs ficaram em 404. Cada semana nesse estado é uma semana em que o Google e outros sites tratam a página como inexistente. Corrigir uma migração mal feita é possível, mas é mais lento e menos previsível do que ter feito a migração direito. Para a parte de indexação de páginas novas, o artigo quanto tempo um site novo demora para aparecer no Google complementa.
O que teria evitado tudo isso
Um checklist curto, antes de desligar o site antigo:
- Exportar a lista de todas as URLs do site antigo e das que trazem visitas.
- Decidir o destino de cada uma antes de publicar o site novo.
- Configurar e testar os redirecionamentos no dia da troca.
- Conferir se nenhuma página nova foi ao ar com
noindex. - Acompanhar o Search Console nas semanas seguintes, todos os dias no começo.
A versão completa está no guia de migração de site, e os detalhes de bloqueios e sitemaps no guia de robots.txt e sitemap. Se você vai contratar um site novo para substituir um antigo, inclua essa etapa no escopo desde o orçamento: o artigo o que você precisa ter em mãos antes de contratar um site mostra o que levantar, e o guia criar um site para empresa mostra onde a migração entra entre as outras decisões.
E se a reforma já aconteceu e o tráfego caiu, o diagnóstico acima é o que faço no serviço de SEO técnico: Search Console, mapa de URLs e plano de correção em ordem de impacto.
Este artigo faz parte de Desempenho, migração e bastidores. A base conceitual está nos guias: Core Web Vitals, Migração de site sem perder posições.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para recuperar as posições depois de corrigir os redirecionamentos?
Não há prazo garantido. O Google diz que, numa mudança de URLs, as páginas novas podem levar algumas semanas ou mais para aparecer, dependendo do tamanho do site, e que flutuações são esperadas nesse período. Corrigir rápido ajuda: quanto mais tempo as URLs antigas ficam em 404, mais referências se perdem.
Preciso usar a ferramenta de mudança de endereço do Search Console?
Só se você trocou de domínio ou subdomínio. Para mudança de caminhos dentro do mesmo domínio, como no caso da clínica, a documentação do Google diz que a ferramenta não é necessária. O que resolve são os redirecionamentos.
Posso redirecionar todas as páginas antigas para a página inicial?
Não é recomendado. O Google orienta redirecionar cada URL antiga para a página nova equivalente e avisa que mandar muitas URLs para uma página irrelevante, como a home, pode ser tratado como soft 404. Se uma página antiga não tem equivalente, o mais honesto é deixá-la retornar 404.
Como descobrir as URLs antigas se o site velho já saiu do ar?
Junte o que existir: o relatório de desempenho do Search Console por página, o Analytics, sitemaps antigos, backups do servidor e links que outros sites fazem para você. Quanto antes você fizer isso, mais dados ainda estarão disponíveis.
Fontes
- Google Search Central — Mudanças de site com alteração de URL (acesso em 09/10/2026)
- Ajuda do Search Console — Relatório de indexação de páginas (acesso em 09/10/2026)
- Google Search Central — Guia de SEO para iniciantes (acesso em 09/10/2026)
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