Não existe, até hoje, um painel oficial que mostre todas as vezes em que sua marca apareceu numa resposta de IA. Por isso, combino quatro fontes. Nenhuma é perfeita sozinha; juntas, contam uma história confiável.
1. Prompts monitorados
É a base. Monto uma lista fixa de perguntas que um cliente real faria, em três grupos:
- Categoria: "melhores clínicas de estética em Campinas".
- Problema: "como tirar mancha de melasma".
- Marca: "a Clínica X é boa?" e "Clínica X ou Clínica Y?".
Uso de 20 a 50 prompts, testados todo mês nas mesmas plataformas, de preferência sem histórico de conversa para não enviesar.
Menção ou citação: o que cada número diz
Quase todo relatório de presença em IA separa duas métricas, e vale não misturar:
- Menção: o nome da marca aparece no texto da resposta. Mostra se a IA lembra de você e te recomenda.
- Citação: uma página do seu site aparece como fonte, em link ou nota numerada. Mostra se o seu conteúdo é usado como referência.
As duas andam separadas mais do que parece. Já vi uma marca de cosméticos ser citada em quase metade das respostas sobre "como montar uma rotina de skincare", porque tinha um ótimo guia, e ser mencionada em quase nenhuma, porque a IA recomendava as marcas que apareciam nas listas de portais. O guia trazia autoridade, mas não ligava o conteúdo aos produtos. Em outro caso, um restaurante era mencionado com frequência, sempre com base em avaliações e portais de gastronomia, e nunca citado, porque o site era uma página única com o cardápio em PDF.
Por isso registro as duas colunas separadas, junto com a posição na resposta e o sentimento da menção.
A planilha
| Prompt | Plataforma | Menção? | Posição | Sentimento | Citação (seu site como fonte)? | Concorrentes mencionados | Fontes citadas |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| melhores clínicas de estética em Campinas | ChatGPT | Sim | 3ª | Positivo | Não | A, B | portal-x.com.br |
| melhores clínicas de estética em Campinas | Perplexity | Não | — | — | Sim (guia de tratamentos) | A, C | blog-y.com.br, seu site |
Com isso calculo o share of voice em IA (em quantos por cento dos prompts a marca é mencionada, comparada aos concorrentes) e a taxa de citação (em quantos o site aparece como fonte). A coluna de fontes é a mais valiosa: mostra onde a marca precisa estar.
2. Tráfego vindo de IAs no GA4
No GA4, crie um relatório filtrando a origem da sessão por domínios como chatgpt.com, perplexity.ai, gemini.google.com, copilot.microsoft.com e claude.ai. Parte das visitas chega sem referência e cai em "direto", então esse número é um piso, não o total.
Uma dica: compare a taxa de conversão desse tráfego com a do orgânico. Nos projetos que acompanho, quem chega de uma recomendação de IA costuma vir mais decidido.
3. Logs de robôs
Os logs do servidor mostram visitas de GPTBot, OAI-SearchBot, PerplexityBot, ClaudeBot e outros. Eles respondem duas perguntas: as IAs conseguem acessar o site? E quais páginas elas mais leem? Uma página importante que nunca recebe visita de robô de IA merece investigação.
4. Search Console e marca
Os cliques de AI Overviews e AI Mode entram no relatório geral do Search Console. Desde 31/08/2026 existe um relatório separado de impressões nesses recursos (sem cliques e sem consultas), que mostra quais páginas aparecem e em quais países. Além dele, acompanho a evolução das buscas pelo nome da marca. Mais menções em IA tendem a gerar mais pessoas pesquisando a marca no Google depois.
Como apresento para a diretoria
Uma página: share of voice do mês contra o anterior, as três fontes que mais aparecem e onde a marca ainda não está, tráfego vindo de IAs e as ações do próximo mês. A tradução do técnico para o executivo é parte do que entrego na consultoria.
Fontes
- Google Search Central — AI features and your website (acesso em 09/10/2026)
- Ajuda do Search Console — Generative AI performance report (acesso em 09/10/2026)
- OpenAI — Overview of OpenAI crawlers (acesso em 09/10/2026)
Este guia faz parte do que aplico em GEO. Faço um diagnóstico gratuito de como sua empresa aparece hoje no Google, no Maps e nas IAs.
